
"abraço pra quem ler e entender esta quase auto-ajuda,
foda-se quem não entender e quiser me fuzilar. já passei por esse treinamento, baby."(Clarah Averbuck)
Foram quase sete meses de trabalho, um evento para 8 mil pessoas, muitos materiais, muitas matérias. Nunca nesses meses fui chamada a atenção, nem fui criticada pela maneira como exercia ou deixava de exercer o meu trabalho. As sugestões que vinham dos meus colegas ou chefes sempre ouvi e procurei seguir. Jornalista não nasce sabendo escrever sobre todos os assuntos. A gente aprende, a gente se familiariza, e não me lembro de uma única vez ter escutado de um superior que eu não estava escrevendo direito ou não passando a mensagem necessária. Pois bem.Sendo assim, fui demitida pelo setor do RH. Nem a minha chefe, nem um dos outros coordenadores teve a decência ou a ética, como queiram, de olhar nos meus olhos e me demitir. Nenhuma palavra, nenhum agradecimento, nenhum puxão de orelha. Nada. Consideração abaixo de zero. Mas é facil entender. Não é fácil pra ninguém admitir a falta de critério e a falta de seriedade. Não dá pra admitir a sacanagem. É mais fácil tratar as pessoas como descartáveis. É mais fácil fingir que nunca viu, não conhece e não interessa o que vai fazer a partir de agora. Veja bem. Eu não trabalhava numa multinacional, nem em um frigorífico onde a gente sabe que o tratamento com os funcionários é bem menos cordial. Não. Minha chefia eram pessoas oriundas de sindicatos e do partido dos trabalhadores, que pressupõem também um maior senso de humanidade e de outra visão sobre trabalho x trabalhadores. Infelizmente, essa visão é esquecida na maioria das vezes quando alguém assume uma posição de poder.
Nesse tempo eu conheci pessoas maravilhosas. Colegas de trabalho que me ensinaram o que significa a palavra colega. Levarei comigo cada sorriso, cada brincadeira, cada conversa no msn de trabalho, cada roda de chimarrão, as festas, os meus apelidos, as caronas, as comprinhas da avon e da natura.Levarei comigo as palavras de despedida, de conforto. Foi deles que tive o verdadeiro reconhecimento ao meu trabalho. Tantas palavras que me fizeram me sentir acolhida na hora da despedida.
Eu entrei nesse trabalho pela porta da frente e pela porta da frente sai. Sem puxar tapete de ninguém, sem desrespeitar ninguém, com a ética e a humildade que sempre permeou meu trabalho e a minha vida. Porque eu erro sim, mas nunca deixei de assumir e corrigir os meus erros quando me mostraram que naquele momento eu errava. Queriam me demitir, não gostavam do meu trabalho, ok! Mas conduzam o processo com honestidade e coerência. Tratem as pessoas como elas merecem ser tratadas. Como pessoas. Só isso bastaria.De consciência mais do que tranquila, levo comigo as coisas boas que aprendi, que passei, as pessoas lindas que conheci e só. O resto o vento leva e leva em dobro pra quem planta tempestade.
Imagem: daqui
"E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda." (Caio Fernando de Abreu)

1 comments:
É assim q te conhecemos, é assim q te amamos. Verdadeira, transparente, ética, coerente. Esta é você... siga em frente pois és muito maior que os fatos. Outros espaços precisam de você, acredite.
Beijos, pai, Igui e Vi.
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